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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Morte na língua

Nunca poderei me esquecer de como desmontei meu pai com seis palavras simples. Eu tinha 17 anos, e meu relacionamento com meu pai não era nada bom. Isso, devido a vários acontecimentos em casa que haviam congelado nossa amizade. Para ser bem honesto, havia perdido respeito por ele. Mas nada justificava o que falei para ele.
Estávamos voltando de uma visita a uma faculdade em que eu havia me interessado. Meu pai me acompanhou, e para a surpresa de ambos nós, o tempo passou sem atritos.
Parecia que a "guerra fria" estava descongelando. Foi então que ele virou-se para mim e falou, "Filho, este tempo foi muito bom. Foi bom demais. Como gostei de estar com você nestes dias." Sem pensar duas vezes, a amargura do meu coração escapou com toda a gentileza de uma picada de cascavel: "Não foi tão grande coisa, pai." Foi assim que o vento polar voltou mais uma vez, matando os primeiros sinais da primavera, e o relacionamento pai-filho regressou mais uma vez.
Você já reparou no poder das palavras para fazer bem ou mal? Consegue se lembrar de uma vez em que você foi desmontado por uma palavra desgraçada? Por outro lado, lembra-se de alguma vez em que alguém falou uma palavra de encorajamento que mudou toda a sua perspectiva de vida?
A Palavra de Deus nos adverte contra a destruição causada pela língua. Ao mesmo tempo nos encoraja pelo potencial que esta mesma língua tem para transmitir vida e graça para pessoas desanimadas.
A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto. A língua serena é árvore de vida, mas a perversa quebranta o espírito (Pv. 18:21, 15:4).
Precisamos reconhecer o poder das palavras e, pela graça de Deus, começar a domá-las e canalizá-las para serem instrumentos úteis nas mãos do Senhor. De todos os lugares onde este conselho é sadio, nenhum é mais importante que o lar e o relacionamento pai-filho.
Certa vez um monge foi falar com seu supervisor para confessar o pecado de fofoca.
"Pequei" ele disse, "por espelhar um boato sobre fulano. O que posso fazer agora para acertar a situação."
O líder daquele mosteiro olhou para seu discípulo e deu a seguinte ordem: "Vá para as casas da nossa vila, e coloque uma pena sobre o portal de cada casa. Depois volte para mim."
O jovem não entendeu, mas obedeceu. No próximo dia voltou para seu chefe e disse,
"Fiz o que o senhor mandou. Coloquei uma pena no portal de cada casa da vila. E agora, o que faço?" "Agora volta, recolhe todas as penas e traga-as para mim" foi a resposta.
"Mas seria impossível!" exclamou o jovem monge. "Agora o vento já espelhou as penas para o mundo inteiro!"
"Exatamente" respondeu o ancião sábio. "É assim com as tuas palavras. Já se espalharam para o mundo todo, e não há como recolhê-los. Vá, e não peque mais."
Quantas vezes eu já quis retirar uma palavra desgraçada momentos depois que saiu da minha boca! Nunca consegui! Aquela palavra caiu para terra como uma bomba nuclear, destruindo e matando. Às vezes os resultados destrutivos continuaram durante muito tempo.
Provérbios nos alerta sobre este poder fatal da língua:
As palavras dos perversos são emboscadas para derramar sangue . . .(Pv. 12:6) Contar mentiras sobre outra pessoa faz tanto mal a ela quanto bater-lhe com um machado, ferir seu corpo com uma espada ou uma flecha bem aguda. (Pv. 25:18, Bíblia Viva) Como, então, desativar esta bomba entre nossos lábios? A resposta bíblica é de pesar nossas palavras, pensar sobre nossas palavras, e peneirar nossas palavras. Em outras palavras, falar pouco e falar bem o que falamos:
Por nós mesmos isso será impossível. Somos pecadores por natureza, e a tendência natural é de fofocar, resmungar, criticar, xingar, blasfemar. Mas foi por isso que Jesus veio para este mundo-- para resgatar a língua do homem. Para fazer isso, precisava fazer um transplante--não da nossa língua, mas do nosso coração, pois a língua só fala do que o coração está cheio. A morte e a ressurreição de Jesus tiveram como alvo transformar o coração daqueles que depositam sua confiança (fé) nele (e só nele) para a vida eterna. O resultado deve ser uma transformação de vida, a começar com as raízes (o coração) até o fruto (a língua)!
Shakespeare comentou, "Quando palavras são raras, não são gastas em vão." Outro erudito disse, "Homens sábios falam porque têm algo para dizer; tolos, porque gostariam de falar algo." Um ditado filipino aconselha, "Na boca fechada, não entra mosca." Os árabes oferecem esta jóia de sabedoria: "Tome cuidado que sua língua não corte seu pescoço." Mas foi Salomão em Provérbios que primeiro nos aconselhou,
No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os seus lábios é prudente (Pv. 10:19) Quem retém as palavras possui o conhecimento, e o sereno de espírito é homem de inteligência. Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio, e o que cerra os lábios por entendido. (Pv. 17:27,28)
Em outras palavras, é melhor fechar sua boca e ser pensado um tolo, do que abrí-la, e tirar toda a dúvida!
Graças a Deus que, anos mais tarde, Ele reconiliou meu relacionamento com meu pai. A primavera voltou, pela graça de Deus. Mas foram muitos anos de inverno, gastos a toa. Não entre "no frio". Cuide bem das suas palavras, jovem, especialmente em casa, onde as máscaras tendem a cair. Deixe que Jesus viva sua vida através de você. Afinal das contas, "A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira." (Pr 15:1). 



10 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigada Marcelo, venha sempre e se gostar,siga o blog

      abr

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  2. Regina, AMEI ADOREI uau... o seu texto!

    Por isso mesmo um dia ouvi uma dura realidade:
    - Voce pode ouvir uma mentira que se parece uma verdade, assim como a verdade dita pode ser entendida como uma mentira!
    Isso acontece com quem sabe manipular as pessoas, a fim de que confiem no que diz e desmoraliza uma terceira.

    Voce me fez lembrar quando eu tinhas uns 10 anos, magricelinha, pequenininha, e com vozinha fininha, ao pedir que meu pai me ouvisse porque queria justiça. Ele me ouviu e jamais esqueci daquele dia. Porque tudo passou a ficar melhor para minha vida. É uma saudade que tenho dele, uma virtude que nem todos a tem.

    Beijos

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    Respostas
    1. Si, meu ex marido teve uma época, creio eu que ele já estava com a outra me fez crer que a verdade era mentira e vice versa, foi quando surtei de vez e fui internada numa clínica psiquiátrica, mas foi bom meu internamento aprendi a lidar com pessoas do tipo dele....rsrsrs

      bjus amada e foi bom te ver aqui!!

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  3. Muito bom o texto Regina. Adorei o seu blog, os textos, tudo!
    Ia colocar o banner no meu blog, ms tá gde demais. Vc não tem um banner menorzinho? Faço questão de divulgar por lá.
    Bjss

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    Respostas
    1. o banner menor já está no blog e o seu tbm

      bju

      Re

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  4. Oi, Re!!
    Primeiro quero agradecer o comentário enriquecedor que fez no "Luz". Adorei!!
    Seu texto faz refletir. Acho que os jovens são impulsivos e não medem as consequências. Muitas vezes, adultos agem por querer, com a finalidade de ferir.
    A palavra tanto pode ser usada pra o bem quanto para o mal. As pessoas devem ficar atentas aos seus atos, pois o mal que proferem sempre se vira contra elas mesmas!
    Vamos praticar o bem, falar coisas boas e pensar coisas boas. A lei da atração é poderosa!
    Boa semana!! Beijus,

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  5. Oi Regina, que lindo seu texto! Estou seguindo agora seu blog e ficarei feliz se vocÊ visitar o meu, está tendo um SORTEIO de um brinde super fofo lá! Bjo

    http://enquantomulher.blogspot.com.br/2012/08/sorteio.html

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  6. Se puder seguir meus blogs e minhas postagens, eu adoraria ! www.eudesdivulgações.tk la tem uma web radio na qual sou dono e locutor coloca o player no seu blog que eu divulgo ele gratis na radio...

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  7. Muito boa a mensagem... como diz uma frase: as palavras, assim como as abelhas, tem mel e ferrão... devemos exercitar mais o silêncio quando o que temos a dizer não é construtivo. Parabéns pelo blog, abraço!

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